A Doença Venosa Crónica é uma doença crónica e evolutiva, caracterizada por uma disfunção das paredes e válvulas das veias das pernas, que dificulta a circulação do sangue para o coração.1,2

Apesar de um número significativo de doentes desvalorizarem os sintomas numa fase inicial da doença3, a DVC tem um impacto negativo importante na qualidade de vida, pelo que o tratamento adequado e atempado é essencial.4,5

PORQUE SENTIMOS AS PERNAS PESADAS E CANSADAS?

O sangue das veias das suas pernas flui em direção ao coração. A Doença Venosa Crónica caracteriza-se pela dificuldade das pernas em enviar o sangue de volta ao coração.6
Esta patologia afeta as válvulas das veias, cuja função primordial é a de prevenir o refluxo de sangue causado pela gravidade.7
Os problemas valvulares podem resultar na acumulação de sangue nas veias das pernas.8

SINTOMAS QUE NÃO DEVE IGNORAR

As primeiras queixas de Doença Venosa Crónica podem facilmente ser percepcionadas como normais. Saiba abaixo quais são e procure a ajuda de um profissional de saúde!12

Sensação de pernas cansadas

Dor nas pernas

Pernas e tornozelos inchados

Comichão

Dormência nas pernas

Cãibras noturnas

Sensação de pernas pesadas

PERMANECER PARADO, SEJA DE PÉ OU SENTADO, POR LONGOS PERÍODOS pode agravar os sintomas.13

O QUE PODE CAUSAR DOENÇA VENOSA CRÓNICA?

São vários os fatores de risco que podem estar associados ao aparecimento ou agravamento dos sintomas de doença venosa13:

Idade

Género feminino

Gravidez

Predisposição familiar

Obesidade

Tabaco

Falta de exercício físico

Obstipação

COMPLICAÇÕES

O impacto da doença venosa na qualidade de vida da população é real. Sabia que esta doença é responsável por um milhão de dias de trabalho perdidos por ano e cerca de 21% dos doentes pedem para mudar de posto de trabalho devido à sintomatologia?9

COMO É AVALIADA A DOENÇA VENOSA CRÓNICA?

Do ponto de vista clínico, a evolução da DVC é avaliada através de um método de classificação internacionalmente estabelecido: a classificação CEAP.11

A classificação CEAP tem em conta a classificação clínica (C), etiológica (E), anatómica (A) e patológica (P) da doença venosa crónica. Tendo em conta o aspeto clínico, esta patologia pode ser classificada em diferentes estadios, conforme a sua gravidade:

A Doença Venosa Crónica afeta maioritariamente mulheres6
60
%
Mulheres
40
%
Homens

TRATAR A DOENÇA VENOSA CRÓNICA

O tratamento da Doença Venosa Crónica depende da presença e gravidade dos sintomas e deve ser adaptado caso a caso, podendo incluir fármacos venoativos, compressão elástica, bem como intervenções cirúrgicas.5

Medidas higieno-dietéticas

Uma das formas de prevenir e controlar a DVC é a adoção de medidas que promovem a circulação venosa4,15:

Medicamentos venoativos

Uma das formas de tratar a dor nas pernas associada à DVC é através de medicamentos venoativos, uma classe de fármacos usada para melhorar a saúde vascular.16 A maioria dos medicamentos venoativos têm uma ação anti-inflamatória benéfica em todas as fases da DVC.16 Alguns fármacos venoativos têm uma ação anti-inflamatória específica na veia, conseguindo uma redução da intensidade das queixas relacionadas com a DVC e uma melhoria da qualidade de vida dos doentes.17

Cremes ou geles

É recomendado massajar as pernas, de baixo para cima, o mais frequentemente possível por forma a melhorar a circulação do sangue para o coração.18 Para o ajudar nesta massagem, pode associar um gel ou um creme para a sensação de pernas cansadas e pesadas.

Meias elásticas

A compressão, através do uso de meias ou bandas elásticas, promove o retorno venoso, ajuda a prevenir o edema e promove a oxigenação dos tecidos.19,20

Escleroterapia

A escleroterapia é um dos tipos de tratamento da DVC que consiste na secagem de pequenas varizes, em regra, através da injeção de um agente químico na veia.15

Cirurgia

Existem várias técnicas de tratamento cirúrgico para tratar varizes salientes e possíveis complicações. Qualquer solução cirúrgica deve ser avaliada individualmente pelo médico.15

DOENÇA VENOSA CRÓNICA E GRAVIDEZ

A gravidez é um dos fatores de risco associados à Doença Venosa Crónica, tendo em conta todas as alterações fisiológicas associadas ao período de gestação.18
As alterações hormonais, o aumento da pressão intra-abdominal (devido ao crescimento do feto) e o próprio peso pélvico sobre as veias podem dificultar a passagem do fluxo sanguíneo nesses vasos, fazendo com que as veias aumentem de volume e levando ao aparecimento de varizes.18,21 O terceiro trimestre de gestação pode ser especialmente desafiante no que toca à sensação de pernas e pés inchados, mas há algumas medidas que podem ajudar a lidar com o desconforto21:

Na gravidez, a consulta médica é essencial para um tratamento adequado e informado. Aconselhe-se junto do seu médico.

A DOENÇA VENOSA CRÓNICA AFETA A MINHA CAPACIDADE DE TRABALHO?

A Doença Venosa Crónica é muitas vezes encarada como uma questão estética, desvalorizando-se o impacto que pode ter no dia a dia, nomeadamente na capacidade funcional.22 No que toca ao impacto no emprego, a DVC é responsável por um milhão de dias de trabalho perdidos por ano e cerca de 21% dos doentes pedem para mudar de posto de trabalho devido à sintomatologia.9 A DVC é ainda responsável por 8% das reformas antecipadas, devido ao elevado impacto negativo na qualidade de vida dos doentes.9 A DVC pode ainda trazer consequências psicológicas, com aumento da irritabilidade e do nervosismo, bem como a presença de sentimentos autodepreciativos.5

HÁ PROFISSÕES DE RISCO?

As pessoas cuja ocupação profissional exige longos períodos em pé ou sentado têm maior predisposição para o desenvolvimento de varizes.23 Movimente-se sempre que possível e aconselhe-se junto do seu médico ou farmacêutico para saber que medidas poderá adotar para prevenir ou controlar a DVC. Há várias profissões em que o risco de desenvolver DVC é superior, por exigirem posições prolongadas sentadas ou em pé:

DVC – Doença Venosa Crónica

Referências:
1 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. «Doenças vasculares mais comuns – SPACV». Disponível em: https://spacv.org/2017/05/24/doencas-vasculares-mais-comuns/. Acedido a 14 de março de 2021.
2 – Wrona, M., K. – H. Jöckel, F. Pannier, E. Bock, B. Hoffmann, e E. Rabe. (2015) «Association of Venous Disorders with Leg Symptoms: Results from the Bonn Vein Study 1». European Journal of Vascular and Endovascular Surgery. 50, n. 3: 360–67. https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2015.05.013.
3 – Rabe, E., et. Al (2020) «The prevalence, disease characteristics and treatment of chronic venous disease: an international web-based survey». Journal of Comparative Effectiveness Research 9, n. 17: 1205–18. https://doi.org/10.2217/cer-2020-0158.
4 – Gonçalves Dias, P. (21 de abril de 2019) «A estratégia de tratamento da doença venosa deve ser personalizada». Disponível em: https://www.hospitaldatrofa.pt/noticias-e-eventos/noticias/a-estrat%C3%A9gia-de-tratamento-da-doen%C3%A7a-venosa-deve-ser-personalizada/. Acedido a 14 de março de 2021.
5 – Brandão, D. «Doença venosa crónica – varizes», Just News. Disponível em: https://justnews.pt/artigos/doenca-venosa-cronica-varizes. Acedido a 14 de março de 2021,.
6 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular, «DVC: Doença Venosa Crónica», Alerta Doença Venosa. Disponível em: https://www.alertadoencavenosa.pt/dvc. Acedido a 15 de março de 2021.
7 – Michigan Medicine – University of Michigan, «Chronic Venous Insufficiency». Disponível em: https://www.uofmhealth.org/conditions-treatments/chronic-venous-insufficiency. Acedido a 15 de março de 2021.
8 – Johns Hopkins Medicine, «Chronic Venous Insufficiency», Johns Hopkins Medicine. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/chronic-venous-insufficiency. Acedido a 15 de março de 2021.
9 – Atlas da Saúde. «Doentes desvalorizam sintomas da Doença Venosa Crónica». Disponível em: https://www.atlasdasaude.pt/publico/content/doentes-desvalorizam-sintomas-da-doenca-venosa-cronica. Acedido a 31 de março de 2021.
10 – Dias Neto, M. «DVC e aumento das temperaturas: Como prevenir? – Dicas & Conselhos práticos – Doença Venosa by Jornal Médico». Disponível em: https://doencavenosa.jornalmedico.pt/dvc-como-prevenir-dicas-conselhos-praticos/. Acedido a 15 de março de 2021.
11 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. «Sinais de Doença Venosa Crónica», Alerta Doença Venosa. Disponível em: https://www.alertadoencavenosa.pt/sinais. Acedido a 14 de março de 2021.
12 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. «Sintomas de Doença Venosa Crónica», Alerta Doença Venosa. Disponível em: https://www.alertadoencavenosa.pt/sintomas. Acedido a 14 de março de 2021.
13 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. «Causas Da Doença Venosa Crónica». Alerta Doença Venosa. Disponível em: https://www.alertadoencavenosa.pt/causas. Acedido a 14 de março de 2021.
14 – Revista Business Portugal (10 de Outubro de 2019). «Doença Venosa: Sente as pernas cansadas e pesadas? Consulte o seu médico – Entrevista a Dra. Joana Ferreira». Revista Business Portugal. Disponível em: https://revistabusinessportugal.pt/doenca-venosa-sente-as-pernas-cansadas-e-pesadas-consulte-o-seu-medico/. Acedido a 15 de março de 2021.
15 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. «Tratamento Da Doença Venosa Crónica». Alerta Doença Venosa. Disponível em: https://www.alertadoencavenosa.pt/tratamento. Acedido a 14 de março de 2021.
16 – Nicolaides, A. et al. (2018) «Management of chronic venous disorders of the lower limbs. Guidelines According to Scientific Evidence. Part I», International angiology : a journal of the International Union of Angiology 37: 181–254. Disponível em: https://doi.org/10.23736/S0392-9590.18.03999-8.
17 – Tsukanov, Y e Nikolaichuk, A. (2017) «Orthostatic-Loading-Induced Transient Venous Refluxes (Day Orthostatic Loading Test), and Remedial Effect of Micronized Purified Flavonoid Fraction in Patients with Telangiectasia and Reticular Vein», International Angiology: A Journal of the International Union of Angiology 36, n. 2: 189–96. Disponível em: https://doi.org/10.23736/S0392-9590.16.03708-1.
18 – Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (2011). «Recomendações no diagnóstico e tratamento da Doença Venosa Crónica».
19 – Wittens C. et al. (2015) «Editor’s Choice – Management of Chronic Venous Disease: Clinical Practice Guidelines of the European Society for Vascular Surgery (ESVS)». European Journal of Vascular and Endovascular Surgery: The Official Journal of the European Society for Vascular Surgery 49, n. 6: 678–737, https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2015.02.007.
20 – Agu, O. Baker, D. e Seifalian, A. M. (2004) «Effect of Graduated Compression Stockings on Limb Oxygenation and Venous Function during Exercise in Patients with Venous Insufficiency», Vascular 12, n. 1: 69–76, https://journals.sagepub.com/doi/10.1258/rsmvasc.12.1.69.
21 – Forjaz, M. (2015) O Grande Livro da Grávida. 5.a ed. Lisboa: A Esfera dos Livros.
22 – Afonso, J (2021) “Ainda há quem desvalorize o comprometimento funcional da Doença Venosa Crónica – Jornal Médico”. Jornal Médico. Disponível em: https://doencavenosa.jornalmedico.pt/joana-afonso-ainda-ha-quem-desvalorize-ocomprometimento-funcional-da-doenca-venosa-cronica/. Acedido a 18 de março de 2021.
23 – Alves, C. P. Almeida, C. e Balhau, A. P. (2019). «Varizes dos Membros Inferiores – Aspetos Práticos». Sociedade Portuguesa de Cirurgia. Disponível em: https://www.spcir.com/wp-content/uploads/2019/11/LIVRO_CIRURGIA_VASCULAR_VWEB-1.pdf. Acedido a 13 de março de 2021.